Para alguns, chegar na idade de Cristo pode ter significados diversos, mas para mim é apenas curioso. Longe, obviamente, de querer me comparar a um Messias e uma figura que, historicamente está envolta de tantos significados, ter 33 tem um significado curioso quando penso sobre o assunto. Para começar trata-se de um número dobrado, o que possivelmente algum numerólogo de plantão pudesse extrair significados ocultos.
Mas para além de números e significados ocultos, é a primeira vez, em todos estes anos, que, paradoxalmente, fazer aniversário menos significa para mim. A idade, sim, significa, mas o aniversário em si, não.
Aos 10 estamos iniciando nosso primeiro aniversário expresso com mais de um número, aos 12 ou 13 o início do que nos espera “oficialmente” como adolescência, aos 15, dizem, atingimos já a mesma capacidade intelectual, ainda que não de experiência acumulada, que teremos no restante da vida (para falar a verdade ví isso em um filme do Silvester Stallone, de modo que podem ignorar isso como fonte fidedigna).
Aos 18 carta, exército e consumo de bebidas alcólicas legalizado, quer nos preocupemos com isso de fato, quer não.
Aos 21 eramos considerados “plenamente responsáveis”, aos 30 viramos “balzaquianos” ou equivalente. Dizem (um dia saberei) que alguma coisa me espera no gênero aos 40. E por ai vai...
Mesmo anos sem números “significativos”, cada aniversário, até o ano passado, tinha algum significado especial, como um ano que mudava de amor ou emprego, ou completaria faculdade ( o que nunca aconteceu ) ou terminaria algum curso específico ou treinamento. Porém, acho que a idade nos torna um pouco mais tranquilos, talvez. Não que as pequenas e as grandes coisas não signifiquem, e muito, ainda, na vida da gente. Apenas que pela primeira vez na vida entendo, de fato, que estar vivo torna a todos e a tudo especial, e portanto, a nada e a ninguém.
Envelhecer não significa obrigatoriedade em estarmos mais sábios (nem, esperemos, mais idiotas, como as vezes acontece). Não significa abandono dos sonhos que não realizamos (por exemplo, já dançou meu desejo de ser um grande publicitário), pueris ou não.
Apenas, e de uma forma muito estranha, “estarmos”.
Não tenho especial vínculo com o budismo, por razões que não vem ao caso, mas entendo pela primeira vez, o que algumas pessoas mais entendedoras que eu de pensamento oriental querem dizer com “ZEN”.
Talvez não tão Zen com o fato de estar zen, já que escrevo este pequeno texto, mas zen quanto a tudo o mais. Não ausência de preocupações, não serenidade quanto aos “inimigos”, mas sereno com relação ao fato de que, realmente, algumas coisas não poderão ser mudadas e, apesar disso, não poderia ser diferente tentar modifica-las.
Talvez meus 34 sejam mais conturbados, talvez encontre a semana que vem ou amanhã, depois de terminar este texto, a boa e velha irritação carcamana a qual tenho direito por herança. Mas me sinto no meio de algo. Não algo místico, entenda seja você quem for que leia isto aqui. Apenas no meio. Sentado em um galho, com um tigre acima e outro abaixo, mas saboreando o morango.
Um grande beijo a todos os meus amigos e parabéns para mim, né? ... afinal, mesmo sem grandes significados, só se faz trinta e três anos uma única vez na vida não é verdade?









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