"Eu hoje joguei tanta coisa fora. eu ví o meu passado, passar por mim. Cartas e fotografias, gente que foi embora. A Casa fica bem melhor assim."
Estes são alguns versos de uma linda canção chamada "Tendo a Lua" da banda Paralamas do Sucesso que eu adoro. E pela primeira vez, vivenciei de verdade estes versos em minha vida. Fiz uma limpeza no meu armário ontem. Joguei muitos papéis, fotografias, cartas, bilhetes e todo o material que utilizei nas faculdades de Administração e Publicidade, que cursei.
E por que? - me perguntam vocês. Acho que a própria estrofe responde esta pergunta.
"A Casa (relamente) fica bem melhor assim."
Além da necessidade constante de espaço em minha casa. Decidi de uma hora pra outra que este era um bom momento para me livrar do passado. Desocupar as gavetas, os armários e tirar da minha vida de uma vez por todas, algumas coisas empueiradas que estão ocupando meus espaços. Tomando um lugar em minha vida, que já não pertencem mais a elas. Coisas como papeis, contas, escritos, livros e materiais utilizados no passado que hora não tem mais nenhuma serventia ou importância prática hoje em dia.
Este talvez seja o melhor momento para fazer isso, visto que, não estou magoado com ninguém, nem mesmo com raiva por um termino em uma relação ou coisa parecida ... Não, não, nada do que joguei fora me incomoda mais ... limpar as gavetas foi um bom exercício sem dúvida! Foi retirar os últimos resquícios de experiências vividas no passado. Mas isso não quer dizer exatamente me livrar destas lembranças ou pessoas. Cada uma delas, no seu momento, teve seu papel e sua importância. Algumas mais, outras menos. Mas passaram ... Foram embora como as águas que correm nos rios ou como o vento que sobra sem destino.
No último sábado fui há uma festa e reencontrei algumas pessoas lá ... ví o quanto a vida delas parece ter evoluído. Como estão dando seguimento as suas histórias e o quanto se reciclaram com o tempo ... e ví também o oposto. Algumas ainda permanecem pressas ao passado. As atitudes, as lembranças de momentos em que estavam no augê de suas vidas. Ao primeiro olhar estas pessoas me pareceram tolas, um pouco amarguradas e tristes. Continuam tentando resgatar o tempos idos a qualquer preço, sem se dar conta que o tempo muda... sempre!
Talvez por este motivo tenha feito uma faxina nos meus guardados. Tenha expurgado de minha vida o passado. De vez ! Sem pena ... tirei as lembranças ruins e boas... todas ! Afastei de vez toda a chance de um dia voltar aos guardados e redescobrir nas fotos, nas cartas e nas lembranças um eterna insatisfação. É como diria Miguel de Cervantes:
"Seja. passado. o passado. Tome-se. outra vereda. e pronto."
Andei revendo meus papéis.
Percorri as telas com meus pincéis
Contas que não dei conta.
Surgiram imagens mil.
Fiquei tonta!
Recados que não atendi.
Pintei amores que não vivi
Lembretes que me esqueci.
Desenhei as saudades que sofri
Receitas que não preparei.
Com trêmulas mãos, te rabisquei
Andei revendo meus papéis
Para tingir-te em tons pastéis
e joguei quase tudo fora (...)
Denise Severgnini









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