segunda-feira, 21 de junho de 2010

É fácil não querer saber, ter medo e fugir
Ser um personagem distante
É fácil beijar quem pouco te mexe
O difícil é tremer
Desejar demais, arder em febre
Ter medo do que não se conhece
De descontrolar - se, de se perder, de se esquecer
Mas seguir adiante
Gelar as mãos
Suar o rosto corado de sangue
Ridicularizar - se
Palpitar o coração
Expor - se frágil dama, sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas
Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer
Num gosto antídoto, intenso
Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo
Fazendo - se viver realmente em dobro
Perceber o que não se fazia perceber
É um cisco o provisório demais
Não ser radical e inteiro ao que pode o bem
O bom mesmo é viver a generosidade da entrega
Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda
A soma do que começa e do que finda
A vida e a morte quando se beija
As vezes coragem é ficar de frente
Tremer e não correr perante o gigante
Se sentir inocente Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade
E de nada mais importar - se
Falar palavras tontas numa dicção solene
Sentir o coração rebelde chocalhando, chamando, querendo, pedindo, independentemente
E então não resistir a fome que a alma e o corpo temem
Se ver na letra da música que grita, que antes, careta, não se suportava
Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido
Uma resposta em nenhuma pergunta
Tudo se torna dele
Das intensidades do amor que vão da angustia à felicidade
E é talvez a única arte que a arte transmita ao homem em sua total integridade..."
Vanessa da Mata

Um comentário:

Beck disse...

Esse texto é realmente importante ... veio parar nas minhas mãos de uma p... Bem, melhor deixar pra lá !!!! Veio parar na minha mão e me tocou demais.