terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário Letras, lados, lestes O relógio de pulso pula de uma mão para outra E na verdade nada muda O menino que me pediu R$0,10 É um homem de idade no meu retrovisor A menina debruçando favores toda suja É mãe de filhos que não conhece Vende-os por açúcar, prendas de quermece A placa do carro da frente Se inverte quando passo por ele E nesse tráfego acelero o que posso Acho que não ultrapasso E quando o faço nem noto Outras flores e carros surgem no meu retrovisor Retrovisor é passado, é de vem em quando do meu lado Nunca é na frente É o segundo mais tarde, próximo, seguinte É o que passou e muitas vezes ninguém viu Retrovisor nos mostra o que ficou O que partiu, o que agora só ficou no pensamento Retrovisor é mesmice em trânsito lento Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas Mostra as ruas que escolhi Calçadas e avenidas Deixa explícito que se for pra frente Coisas ficarão pra trás A gente só nunca sabe que coisas são essas

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