Levantei meio cambeta ainda, morto de sono e fui para de baixo do chuveiro, na tentativa de despertar. Confesso que estava muito ancioso. Na verdade, acho que esse era o verdadeiro motivo por não conseguirmos dormir direito na noite que antecedeu o nosso vôo para a Bahia. Eu e o Jhonny estavamos uma pilha de nervos... Enfim chegara o grande dia ... tão esperado. Tinhamos agora, poucos minutos para checar os últimos preparativos. A mala já estava pronta, a roupa que eu usaria na viagem separada. Enfim tudo certo ...tudo? ... hummmmm ... na verdade nem tudo. Tinha deixado de fora da mala os carregadores de pilha da máquina fotografica. Tentei abrí-las e acabei descobrindo que o segredo da mala estava com defeito. Merda!!! Disse eu ... Tinha certeza que havia colocado a senha mais ridícula do mundo (171). Uma senha bobinha assim ... justamente para não esquecer depois. E derrepente eu estava ali, diante da minha mala de viagem completamente travada a poucas horas do meu vôo. Ouvi alguns resmungos do Jhonny como sempre dizendo que não era essa a combinação do segredo da mala, que eu era lesado da cabeça ... mas eu, não estava nem ai ... nada me tiraria a tranquilidade neste dia. Afinal, eu estava indo para a Bahia. Lugar onde todos vivem dizendo que não existe stress nem preocupações. Minha proposta era bastante simples: " Deixa a mala assim como está ... quando chegar na Bahia eu dou um jeito!" ...risos
Saimos de casa por volta de umas 4:30 da manhã rumo ao Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro. Meu pai é quem nos levou até lá. No caminho, outro incidente. Meu pai perdeu a entrada da linha vermelha e acabou levando um pouco mais de 50 minutos para chegar no aeroporto. Incidente suficiente para deixar o Jhonny tenso como uma rocha. Ele ficou tão preocupado em perder o vôo que nem foto no aeroporto queria tirar ... acredita? ... risos.
Bem, o vôo nós não perdemos , porém tive que aturar um mal humor dele e um bico do tamanho de um tucano, quando pegamos no guiche da TAM as passagens. Foi só o Jhonny ver que nossos acentos eram em fileiras diferentes para ele fechar a cara de vez.
Seguimos ainda no aeroporto (parados) todos os procedimentos de viagem. Colocar o sinto, ouvir com atenção as intruções das aeromoças. Que para minha surpresa não são mais dadas pelas mocinhas com roupinhas engraçadinhas e cabelos super penteados. Agora, pelo menos no meu vôo, eles acionam pequenas TV de plásma e é exibido um vídeo com as intruções para casos de emergência.
O avião demorou hororres para taxiar pelo Galeão, até que pegou finalmente a reta para decolar. No alto-falante, nosso comandante dava as boas vindas a tripulação e dizia em uma voz firme, porém sonora e confiante:
- Senhores passageiros, bem vindos ao vôo 9738 da TAM com destino a Porto Seguro / BA, gostaria de informá-los que nossa decolagem foi autorizada.
Só então me dei conta ao reçoar forte das turbinas que era chegada enfim a hora de decolar. Um frio enorme se alojou na minha barriga nesse instante. O Avião seguiu então pela pista e por estar sentado na última poltrona, observei o quanto ele tremia inteiro a medida em que ganhava maior velocidade a cada segundo. Fixei meu olhar na janela e apertei as minhas mãos na tentativa de me segurar em algum lugar (???, sei lá porque!) acho que nunha tentativa boba de diminuir o medo que sentia naquele instânte.
Me considero um cara corajoso ... já pulei de Bang-Jump, já andei de montanha russa (com as mãos para cima... risos), Já fiquei de cabeça para baixo nos brinquedos mais loucos e imagináveis nos parques de diversão. Mas aquela estava sendo uma experiência nova para mim. Por mais que eu dissesse para mim mesmo que era apenas um vôo simples e que em no máximo em uma hora e meia eu estaria pisando em terras da Bahia, o medo e um frio na barriga não conseguiam deixar o meu corpo e minha mente.Foi só o avião sair do chão para esses pensamentos idiotas se misturarem as sensações mais doidas do mundo na minha cabeça. A medida em que ganhavamos mais altitute, um misto de pavor, medo e contraditoriamente relaxamento iam se misturando dentro de mim.
Já nas alturas, bem acima das nuvens, é que eu pude finalmente curtir aquela emoção de estar voando pela primeira vez. As aeromoças nos presentearam com fones de ouvido que conectados as poltronas da aeronave, nos possibilitavam a chance de curtir 13 canais diferentes de som.
Foi engraçado que em um desses canais de música me deparei com a Cássia Eller cantando :
" E ôô vida de gado, povo marcado, povo feliz !!! " ...
Isso, bem enquanto sobrevoávamos algum tipo de fazenda ou região com plantações e embora eu estivesse muito alto, lá de cima eu conseguia ver pontinhos bancos do tamanho de grãos de areia sobre o imenso campo verde. Eram criações de gado. Só então me dei conta que estavamos cruzando parte do estado de Minas Gerais e que ali muito provavélmente deveria ser o vasto terreno de alguma grande fazenda.








