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domingo, 19 de outubro de 2008

Diário de Bordo: Na Rota do Descobrimento.

Acordar de manhã nas segundas sempre me pareceu uma grande tortura para qualquer pessoa, porém, levando-se em consideração que você está de férias e que principalmente, esta viajando na Bahia, a coisa muda bastante de figura.
Acordei super cedo neste dia. Tava ancioso por começar meus passeios pela região. Aproveitei algumas propagandas de pacotes e passeios turísticos das operadoras que nos abordaram no dia anterior a todo instante nas ruas e junto com o Jhonny decidi usá-los como nossos orientadores das direções que deveriamos tomar. Seriam nossos "mapas de descobrimento". A estratégia foi bem simples: Seguiriamos os locais divulgados nos panfletos e tentaríamos visitar a maior quantidade de lugares que conseguissemos.
Nossa meta era aproveitar o passeio e desfrutar a maior quantidade de coisas fazendo o nosso próprio tempo. Sem pressa, nem lugares pré-estabelecidos para comer e/ou visitar. Achamos melhor fazer assim, por vários motivos. O mais significativo deles claro - o preço.
O primeiro destino escolhido por nós foi um lugar chamado Coroa Vermelha. Exatamente neste ponto está o marco do lugar onde foi realizada a primeira missa em terra firme no Brasil. As agências vendem pacotes para lá e chamam o passeio de "A Rota do Descobrimento". Não é barato! Em média R$ 55.00 por pessoa. Esses passeios geralmente vão até Sta. Cruz Cabrália , passando pelo Memorial da Epopéia do Descobrimento, onde se pode visitar uma réplica fiel da Nau Capitânia e a praia da Coroa Vermelha. Minha dica aqui fica pela facilidade de se chegar a estes lugares por conta própria há um custo muiiiiiito menor que o proposto pelas operadoras. O Memorial do Descobrimento por exemplo, se você estiver nos hotéis do centro como é o Adriático, vc pode fazer uma caminhada leve de uns 5 a 10 minutos e ir a pé mesmo ... Lá é cobrado um custo de R$ 6.00 por pessoa para visitação com guia da região ( vou descrever o lugar mais a frente em um outro post neste Blog).
Já para visitar as práias de Sta. Cruz Cabrália ou Coroa Vermelha, basta que você pegue um ônibus chamado Santa Cruz Cabrália, que passa em uma média de 20 em 20 minutos na orla no sentido Norte. O valor da passagem custa R$ 2.10. Você chega em 15 minutos a praia da Coroa Vermelha e se achar conveniente tem a opção de parar em alguma das barracas que ficam ao longo da estrada como o TôATôA, Axé Moi e Barra Mares. Logo que descemos do ônibus fomos abordados por um garotinho da região que muito educadamente nos pediu licença e nos sugeriu almoçar ou lanchar após o passeio na Barraca Tropical. Ao que tudo indica, eles (os meninos ) recebem uma comissão por indicar pessoas para as barracas uma espécie de pagamento pela propaganda. Mais tarde descobri que a comissão era um almoço do dia, o que me deixou bastante comovido. Achei o menino educado, sem contar que ele nos indicou exatamente onde começava o comércio dos remanescentes dos índios Pataxós. Depois deles mais uns 15 meninos(as) tentaram se aproximar de nós. Vestiam roupinhas de índío e ficavam vendendo seus artesanatos o tempo todo.
No ínicio você tolera, mas depois de 10 minutos você já está achando aquilo um saco, confesso!
Decidimos passear pela feirinha e ver os artesanatos locais. Realmente são coisas muito interessantes. Uma infinidade de tijélas, petisqueiras, e outros utensílios feitos de madeira, barro e bambú. Tem coisas muito bonitas !!! E sem contar que são os melhores preços para quem quer comprar o artesanato local. Quase tudo lá é pago: Tirar foto com o índio é pago, tirar foto com o cocar na cabeça é pago, fotografar os curumins paga, vestir a roupa dos índios e tirar foto paga. É isso mesmo, eles colocam preço em tudo, até para fotografar. Geralmente para levar a imagem de um deles pra casa, vc deixa um real na mão do Cacique ...risos !!!!
Uma cena muito engraçada que presenciamos lá foi uma índia, bem mais velha, que ao contrário dos outros não cobrava para ser fotografada. Pelo contrário, ela pedia para ser fotografada. Entramos na lojinha dela que era bem pequena e entre os artesanatos que eram muitos estavam mais de umas 50 fotos da tal índia. Ela nem me perguntou o que eu queria ou se havia gostado de alguma coisa. Virou-se para mim e foi logo dizendo:
- Se quiser tirar foto da índia, ela ( a própria diga-se de passagem ) não cobra !!! Pode tirar foto.
E continuou insistindo :
- Pode tirar foto. Tira foto da índia. Índia não cobra foto não ... tira, tira !!!!
Eu olhei para ela, olhei para o Jhonny e fui saindo de fininho ... que fotografia de india que nada, pensei ... fui deixando a loja de mansinho pensando:
"Essa ai, quer um click de fama a qualquer preço ... Que gente mais maluca ... eu, heim !!!!"
Rodamos bastante ... tiramos algumas fotos ( sem a índia, claro ...hahahha ) compramos umas pulseiras e tomamos água de coco ... depois foi a vez de ir para a praia.
A praia da Coroa Vermelha é muito linda !!!! Uma das mais bonitas que ví em Porto-Seguro. Ela é formada por um imenso banco de areia que faz com que você ande uns 500 metros mar a dentro e a água não molhe mais que o seu calcanhar. Em outra extensão ela é bem calma também e a água é quentinha e muito ralaxante.
Andamos por toda a orla a procura de um lugar bacana para sentar. Acabamos por coincidência avistando a tal Barraca Tropical. Realmente só tenho elogios a fazer ao pessoal da barraca. Foram atenciosos, educados. A comida é muito boa. A cerveja é gelada e rola uma musiquinha que me fez lembrar demais o meu irmão. Tava tocando um CD quando chegamos com uma versão acústica de um artista local que cantava músicas do Zé Ramalho, do Fagner, da Elba, enfim ... músicas do pessoal do norte e nordeste. O clima estava completo. Senti muita saudade da minha família e dos meus amigos. Gostaria demais que eles estivessem por lá, conosco naquele momento.
Mais tarde voltando para o hotel, mais uma surpresa. Estavamos parados em um ponto de ônibus, quando um taxista veio nos abordar. Ele desceu do carro e nos perguntou se não gostariamos de pegar com ele o taxi. Nos disse que faria um bom preço visto que, haviam mais três senhoras no ponto e levaria todos até o centro por R$ 20.00. Aceitamos e juntos das moças entramos no taxi do Joca ( esse era o nome do motorista ) . Ele deu logo um jeito de inturmar o pessoal dentro do taxi ... papo vai, papo vem, e entre uma conversa e outra sobre o tempo, clima da região e condições gerais do lugar, descobrimos que elas também eram de Petrópolis. Dá para acreditar ? saímos daqui da cidade e o destino nos coloca frente a frente com as conterrâneas da terrinha ... foi divertido! Rimos muito da 'situação.
Já no hotel, ficamos curtindo o finalzinho do dia na piscina. Foi bacana, rolou uma interatividade ainda maior com o pessoal de Sampa. Todos estavam excitados para a night. Afinal era dia de festa. A festa promovida pelo pessoal da CVC no TôATôa.
Tenho que ser sincero ... a festa da CVC foi um porre ... achei desanimada e muito chatinha. O show que foi apresentado foi o mesmo que eu havia assistido na tarde anterior na barraca com a apresentação do travesti DEBY e o pessoal da Lambaeróbica. É até legalzinho, mais achei repetitivo. Não tinha nada de novo a não ser um cover trash pra caramba do Reginaldo Rossi ... uó!!!. Além disso, tinha pouca gente ... o capeta que tomei lá foi o pior que experimentei em Porto Seguro e os preços lá nas alturas. Tudo muito diferente da noite anterior lá na Ilha dos Áquários. Só não foi pior, porque, estavamos com a turminha de São Paulo que ainda se esforçou bastante para fazer a noite valer a pena.
A festa é tipo Cinderela ... antes da meia noite já estavamos de volta ao hotel ... acredita? Pois é, nem eu acreditei. Tanto que saimos pela rua a noite e acabamos nos deparando com a inauguração de uma praça no centro da cidade. Tava rolando show de forró ... tipo Calcinha Preta e essas bandas de techno-brega. Tava disposto a curtir, afinal sou bastante eclético, mais com a cara de turista que estamos ( ainda brancos pra caramba ) chamavamos a atenção demais ... e depois que dei uma olhada na galera que estava assistindo o show, acabei desistindo de ficar. A impressão que tive foi que a periferia "desceu o morro" ( se é que porto seguro tem algum ...risos !!! eles foram em peso para as ruas. Uma gente diferente da que eu estava vendo circular por lá nestes dois dias.
Confesso que fiquei com um pouco de medo de ser assaltado ou coisa parecida. Olhamos para o relógio e ao constatar que já eram mais de uma da madrugada disse ao Jhonny que era hora de se recolher e assim voltamos para o hotel.